Champanhes e espumantes na Mistral, um show de borbulhas.

Champanhe e espumantes não são uma invenção de Dom Pérignon, embora as experiências do monge tenham sido fundamentais para se chegar ao vinho inquieto que arrebata corações. O champanhe já era conhecido como Messieur Pétard, o senhor Rojão, desde a época em que Genghis Khan conquistou a Pérsia e Viena se tornou uma cidade, isto é por volta de 1220. Era um vinho que se pensava ser tranqüilo, mas tinha um temperamento explosivo a ponto de obrigar o pessoal a entrar na cave com máscaras de ferro. O tempo passou e a região da Champagne e seus vinhateiros foram obrigados a se renderem ao gênio vibrante de seu vinho, passaram a produzi-lo respeitando suas idiossincrasias e caprichos: uma bebida com borbulhas que na boca se transformam numa mousse cremosa e leve com notas de brioche, pão tostado e fermento (mais detalhes sobre a história do champanhe em meu livro “O que é enologia?”, R$ 16, pela editora Brasiliense).Daí para frente, não somente o mundo se rendeu ao encanto do champanhe, mas tratou de copiá-lo. Os vinhateiros das demais regiões francesas foram os primeiros, certamente. E desde que somente se pode denominar champanhe o vinho feito na região de Champagne, as bebidas francesas de mesmo gênero passaram a se chamar Crémant .

No final do séc. 19, o catalão Josep Raventós I Fatjó da casa Codorniu fez uma visita à Champagne e em 1872 Josep Raventós elaborou 3.000 garrafas de Cava segundo o método de segunda fermentação na garrafa. O sucesso levou outros produtores de Sant Sadurní d’Anoia a produzirem o espumante e tornar esta região a capital da cava, bebida feita com uvas brancas autóctones (macabeo, parellada e xarel.lo) e personalidade própria. Hoje em dia, também podem entrar em sua composição a Chardonnay e a Subirat Parent (Malvasía Riojana).

Os espumantes da região de Franciacorta, Lombardia são feitos a partir da Chardonnay, Pinot Bianco e Pinot Nero, sempre pelo método champenoise, e são magníficos. Acompanham risotos, frutos do mar, carne branca e peixe assado.
No Brasil, o espumante tem se revelado o melhor dos nossos vinhos e há quem diga serem eles a vocação natural de nossa Serra Gaúcha. E em Portugal, o mestre Luis Pato produz um espumante rosado brut com a uva Baga: complexo, refrescante, de aroma intenso e cor de salmão.

O champanhe brut nasceu para atender o mercado britânico e se consagrou pelo mundo afora. Daí foi um pulo para se criar o Nature, a bebida com dosagem zero de açúcar. Deliciosos exemplos de Nature foram degustados no Encontro Mistral 2008 que apresentou o melhor dessas borbulhas de que falamos: champanhes Bollinger e Ayala, cava Jané Ventura, os espumantes de Luis Pato e da brasileira Vallontano, o fantástico Franciacorta da Cà del Bosco e o excelente Crémant d’Alsace Chardonnay Brut 2004 da Dopff au Moulin. Confira no vídeo o que dizem os produtores e os amantes desse vinho irrequieto.